quarta-feira, 25 de maio de 2016

Curso Autoestima 005_O Fator Aladim



Curso Autoestima

005_O Fator Aladim

Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.
Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.
Mateus 7:7,8


Tenho a firme ideia de que muitos de nós crescemos, desde nossa mais tenra infância, programados com a crença de que pedir algo é mal, próprio dos medíocres, algo característico das pessoas abusivas. Pois bem, pode ser essa a questão, não nego, mas o caso isolado é extremamente diferente da crença de que pedir é ruim. 

Na verdade, é algo saudável. Eu afirmo isto porque é algo que tenho vivido. A maioria das pessoas acredita que para conseguir o que se quer na vida é preciso visualizar, se esforçar, mentalizar, trabalhar duro, economizar, ter um sonho, comprometer-se com um ideal, etc. 

Todas são respostas muito bonitas e estou totalmente de acordo que nos ajudam enormemente a obtermos o que queremos na vida, mas falando muito sinceramente, todas estas respostas poderiam ser “o passo seguinte”. O primeiro passo é: pedir. Mas, se nos negam, se não se fala nisso, pode-se passar para o “plano B” e então, trabalhar duro, esforçar-se, e todo o resto. 

Em várias ocasiões em minha vida, passei por momentos em que não sabia se ria ou chorava, e lhe direi porquê. Creio que igual a muitas pessoas, eu passei por momentos de tristeza e desilusão, verdadeiramente debilitantes por seu desencanto. Há muitos exemplos, mas para citar um, era quando cheguei a me sentir mal e chateado com minha noiva porque ela não me avisava quando chegava em casa, depois de sair sozinha. Assim se passaram vários meses, e chegou um dia em que fomos conversar e, nesses momentos de conversa sincera, eu então lhe disse: “Veja, você não imagina como me deixa chateado por não ter a atenção de me avisar quando chega em sua casa. Já são muitos meses que venho sentindo isso e não queria falar, mas agora..., e ela me respondeu: “Não acredito no que me disse. É por isso que ficava tão distante no dia seguinte? ” “Às vezes”, respondi. “Pois eu não lhe avisava porque acreditava que ia incomodar, e você se sentiria oprimido, mas já que me pediu, eu com todo meu amor lhe aviso, isso me encantaria...” Bom, pode perceber porque eu não sabia se devia rir, chorar ou ficar chateado? Caramba! Quantas vezes não obtemos algo pelo simples fato de não termos pedido! Definitivamente quero que tenha a plena e absoluta certeza do seguinte: “Ninguém, absolutamente ninguém, tem uma bola de cristal para adivinhar o que o outro está pensando”. Essa tem sido uma grande lição em minha vida. De fato, hoje em dia existem ocasiões onde ainda escapa de minha mente e esqueço a poderosa força que há em pedir. Pedir é a verbalização de nossos sentimentos. Pedir é uma forma de comunicação sadia e profunda. 

Quero aproveitar este momento para crescer, para desmistificar uma das crenças mais debilitantes que pude observar em muitas relações humanas – várias minhas entre elas – e que é a seguinte falácia: "Se você realmente me amou, eu não teria que perguntar, deveria ter tido iniciativa de sua parte." Nada está mais distante da verdade! Confesso abertamente que eu era uma dessas pessoas que acreditava nessa ideia, de fato a defendia com poderosos argumentos. Porém, na vida prática – demasiado prática – me dei conta de que não era assim. Acreditar que se alguém nos ama implica que conhecerá nossas necessidades intuitiva e antecipadamente, é uma crença romântica porém muito distante da realidade. 

No entanto, não descarto a possibilidade de que isso realmente ocorra e é muito bonito, mas não é a norma. Também lhe faço a seguinte advertência: esqueça esse comentário se sua companheira ou companheiro for psíquico ou adivinho. 

Mas se é uma pessoa normal, convém lhe pedir.

Acredite por favor, existe um denominador comum em muitos de seus conflitos que é “não ter pedido”. Quantas moças deixaram de sair com seus noivos por medo de pedir permissão, como tendo uma bola de cristal, onde adivinhavam a proibição de seus pais. Quantas promoções nas empresas não foram dadas, porque não havia ninguém que se atreveu a pedir, e centenas de empregados vivem “esperando” ser promovidos, com a mera ilusão de que seus chefes percebam que eles mereçam. Quantos beijos e carinhos não foram dados porque não foram pedidos. Quantas viagens não se realizaram por não pedirmos o dinheiro que precisávamos. Quantos compromissos não ocorreram porque “não pediu o telefone”. Enfim, você poderia dizer: quantos conflitos e desencantos aconteceram por não se falar claro, por não pedir? Resposta: milhares. E é o orgulho que não nos deixa. Desgraçado orgulho que nos distancia dos amigos, termina noivados, dificulta relações no trabalho, diminui as famílias e acaba por nos jogar na solidão. Não quero falar de “pedir perdão” porque isso é parte de outro capítulo. Basta pensar sobre o que eu disse nessa frase e o que ela implica.
Quero compartilhar quatro reflexões que surgem da força do pedir: 

   1-   Pedir implica uma grande autoestima. 

Só pede o que tem a firme convicção de merecer e só merece aquele que sabe do grande valor. Pede sabendo que merece e verá a força mágica que gera dentro de si. Claro, o desafio está implícito, requer desenvolver uma autêntica autoestima para experimentá-la. O que não pede vive preso pelo medo. Medo da rejeição, medo da humilhação, medo do “não”. Porém quem desenvolve uma grande autoestima, perde o medo e gera uma grande valentia para si e para seu próprio crescimento como pessoa. Pedir é um privilégio dos valentes, dos seres humanos que se lançar a conquistar o “si”.


O temor sempre brota da ignorância.
Ralph Waldo Emerson (poeta e ensaísta americano)


   2-  Pedir é importante para sua saúde

Pedir implica ter chegado a níveis de comunicação profunda, onde se compartilham as verdadeiras emoções e sentimentos com alguém; é um desafio para melhorar a saúde mental de todo indivíduo, é quando a pessoa se reconhece como parte de uma comunidade e pedindo, satisfaz sua profunda necessidade humana de “pertencimento”. Neste nível de relacionamento é onde reconhecemos o amor, e bem sabe que com amor se gera uma poderosa força onde todo o corpo resiste e é mais difícil ficar doente, por isso, pedir também é sadio, fisiologicamente falando.

 
   3-   Pedir é o primeiro passo “lógico” para que Deus, seu chefe, sua família,    seu noivo ou noiva, seus amigos, prestem atenção ao que você quer.


Lembra-se daquele ditado popular que diz: “Ao que não fala, Deus não ouve”? Pois é a isso a que me refiro. É mais que lógico.
Veja, embora saibamos que existam fenômenos de comunicação extra-sensorial, telepatia, viagens astrais e outras coisas, para o mais comum dos mortais resulta ser muito mais fácil uma dinâmica de comunicação mais convencional: pedir abrindo a boca. Agora, repare que lhe digo que pedir faz com que os demais saibam daquilo que você quer, mas nunca lhe disse que pedir faz com que os demais lhe deem o que você quer. Isso é outra coisa, assunto próprio de outro tratado. O que hoje você deve deixar claro, à luz da mais pura lógica, é que as outras pessoas NUNCA poderão nos conhecer, nos considerar e nos dar o que queremos, sem que elas saibam o que queremos. Se você pede, a possibilidade existe.


O homem que espera que o pato assado voe até sua boca, tem que esperar muito tempo.
Provérbio Chinês.


   4-  Pedir dá ao outro o prazer de ajudar-lhe

Aqui sim serei franco. Peça, mas peça de modo inteligente; ao dizer isso, me refiro a que para pedir, deve saber a quem. A melhor opção é pedir a pessoas generosas. Busque a pessoa que seja mais evoluída, que já tenha experimentado o prazer de dar e servir. Eu digo isso, porque em honra à verdade, existem pessoas que não conhecem o prazer de dar, são pessoas que se encontram em degraus muito, muito inferiores em seu crescimento. Possivelmente os conhece, mas com o nome de egoístas. A elas, logo chegará o seu momento de aprender o valor da generosidade, será uma lição muito dolorosa, mas isso é algo que não compete nem a mim, nem a você. A lei da vida – do bumerangue – é a que se encarrega de ensinar isso.
De fato, tenha cuidado se não pede, já que não pedir é uma atitude egoísta.
O que não pede sente que tem tudo, ou que pode tudo, e que não deve pedir para evitar o aborrecimento de dar quando – por igualdade e justiça – lhe peçam. Já viu esta interessante dinâmica psicológica? Desse modo, e curiosamente neste mesmo esquema mental, pedir é uma característica das pessoas chamadas generosas, pois sabendo que ao pedir cabe a possibilidade de que lhes peçam, abrem assim uma oportunidade para alegrar-se dando e ajudando. Me emociona compartilhar isso com você!


Se deixa escapar o amor ao não pedir por ele,
Ele vai escapar de sua vida.
Leo Buscaglia (escritor e conferencista americano)


Pedir e não sentir culpa por isso denota uma grande autoestima, manifesta um grande amor por si mesmo. Além disso, em seu crescimento como pessoa, aprenderá que na forma de pedir, está a de dar. Existe toda uma técnica para pedir com prudência, mas esse é tema para outro momento. Hoje apenas quero que reflita na grande quantidade de coisas que tem perdido, entre tantas que lhe oferece a vida, por não pedir, e que se atreva a esfregar a lâmpada de Aladim que todos levamos dentro de nós, para que salte o gênio e possamos pedir a ele nossos mais fervorosos desejos, para que ele os cumpra para nós. Tenho a impressão que deve esfregar bem essa lâmpada – muito bem – para remover a sujeira do orgulho e a escória do ego. Deve esfregar com um pano bem limpo chamado generosidade.

JCF
Tradução: Adri Silveira

Nenhum comentário:

Postar um comentário