quinta-feira, 28 de abril de 2016

Curso de Autoestima - 004_Ninguém Está Chegando



Curso Autoestima

004_Ninguém Está Chegando

Aquele que espera um milagre para continuar vivo e nada faz para que isso aconteça,
corre o risco, enquanto espera, de morrer.
Alejandro Ariza

É possível que este capítulo desmoralize a algum leitor muito sensível; porém, me interessa deixar muito claro que essa não é a intenção da reflexão desde capítulo. Não, em absoluto. O que acontece é que nos confrontamos com uma grande verdade, topamos com uma clássica dinâmica psicológica que nos limita o progresso, e é a seguinte: A imensa maioria de nós vive “esperando” que alguém venha a nos salvar quando passamos por momentos de dificuldade. Muitos de nós vivemos aguardando “a chegada do salvador”, e nessa espera nos posicionamos em uma cômoda circunstância, passiva, sedentária, inativa e aguardando um milagre, nada fazendo por nós mesmos. 

Esta tem sido uma das lições mais duras em minha vida.
Viver com a contínua esperança de que alguém ou algo nos salvará, viver com a ilusão de que no momento menos esperado de alguma dificuldade que afrontamos chegará nosso salvador, nos impede de desenvolvermos nosso potencial de êxito em sua plena totalidade. Quando digo “salvador” me refiro a figuras tais como: o pai, a mãe, o irmão mais velho, o amigo generoso e de grande bondade, a loteria nacional, o noivo, o sogro, seu chefe no trabalho, o Espírito Santo, um bilhete de alta denominação que tiramos, algum erro do caixa do banco que não nos cobrou os juros de nosso cartão de crédito, o sacerdote, o advogado, o anjo da guarda, o governo, Deus ou como você o conheça, o líder sindical, o marido, a avó milionária, o mestre corrupto que com algum dinheiro nos ajuda, o filho pródigo, o chefe que reconheça o quanto trabalha, etc. como vê, abundam as figuras de “o salvador”, e é por isso que temos acreditado que pelo menos um deles vem em nosso auxílio. 

Caramba! Se são tantos, pelo menos um deveria estar inclinado aos nossos problemas e vir para nos salvar. Quantas pessoas pensam assim? Pois posso garantir que muitas, muitíssimas pelo menos em um nível inconsciente; assim vive a maioria das pessoas. Falo do México porque esse é o país que mais me importa, é onde vivo e onde pude crescer e me desenvolver. Por isso quero contribuir com essa reflexão, para que despertemos e nos demos conta de que ninguém virá para nos ajudar, mas longe de ser uma atitude pessimista, creio firmemente que é uma postura que fortalece nossa responsabilidade e nos faz autênticos donos de nossa própria vida, com todos os resultados que nela geramos, nada mais. 

Farei uma pergunta e suplico que por favor seja sincero. O que é a primeira (primeiríssima) coisa em que pensa quando tem algum problema? Insisto, seja sincero, afinal, ninguém está olhando para o que pensa. Por acaso pensa em “alguém”? Se sua resposta for afirmativa, eu o felicito por ser sincero, você pertence à maioria das pessoas que está esperando um salvador (noivo, padre, amigo, etc.). Não se sinta mal se pensa assim. Eu posso garantir que já é parte de um inconsciente coletivo. 

De fato, posso até dizer que uma das razões pela qual muitas mulheres buscam um companheiro, é para que ele seja seu salvador e “as tirem da pobreza”. Conhece gente assim? Eu conheço. É uma forma de agir a qual já não nos damos conta, simplesmente assim raciocina a maioria.
Pois é nesse momento onde conferimos ao outro a habilidade de nosso triunfo para sairmos garbosos de algum problema. Creio que isso tem nos prejudicado enormemente: dar a outro o que nos pertence por ser nosso. Está aí o grande erro: endossar a responsabilidade necessitando então desta outra pessoa. Temos gerado crenças erradas ao redor de tudo isso, valorizando mais a grande empresa na qual trabalhamos, o nível social superior, uma ampla rede de contatos pessoais, ao invés de nós mesmo, e nossa capacidade de criar e nos valermos por nós mesmos; não quero que pensem que estou sugerindo que vivam em uma ilha deserta como Robinson Crusoe, nem que um ambiente favorável é errado. A ideia principal é que isso não substitui seu verdadeiro valor: Você.

A necessidade que está ligada ao objeto ou alguém, concede a este, poder ou controle sobre suas emoções

WAYNE DYER escritor estadunidense

Em contraste, pude observar que as pessoas com grande autoestima se fazem drasticamente donas de si e pensam em resolver seus problemas por si mesmas. São pessoas que têm o conhecimento sadio de que ninguém virá em seu auxílio. São seres que tomam a iniciativa e não esperam que lhe aconteçam as coisas, mas que fazem com que as coisas aconteçam para seguir adiante. São autênticos líderes. São as pessoas que fazem a diferença em sua sociedade. São as que se convertem magicamente nos salvadores que os demais esperam. Percebe a enorme diferença nessa poderosa escolha? Na escolha de não esperar e optar pela ação. Optar por fazer com que as coisas aconteçam, esse é o mais autêntico poder pessoal.
Esta semana quero convidá-lo a um grande momento para crescer. Reflita e opte por esse grande poder pessoal que você leva dentro de si. Perceba que nada vira “resgatá-lo”. Mas perceba sem pena ou decepção, sem tristeza ou dor. Perceba que você não necessita que alguém venha para que siga adiante. A única coisa que precisa saber é que é você o único responsável por seus atos e que dentro de você se encontra suficiente força para iniciar a ação que o levará ao êxito que busca. Eu posso garantir que quando você “se der conta” plenamente deste grande segredo para triunfar, aparecerá em sua vida um enorme e transbordante prazer por saber que tudo depende exclusivamente de você. De ninguém mais. Este prazer é o resultado de saber ser o autor exclusivo de sua própria vida. Inclusive, pode chegar a perder o certo temor da solidão, e até a desfrutará de vez em quando. 

Comparemos a filosofia de vida de uma pessoa de baixa autoestima comum com uma de alta autoestima comum, para tomarmos um exemplo contrastante que nos clareie ainda mais o aprendizado. A pessoa de baixa autoestima geralmente vive esperando que chegue a boa sorte, comumente espera que alguém venha ajudá-lo, enquanto que na cultura da alta autoestima comum, a pessoa nunca espera que alguém venha em seu auxílio para se iniciar a ação, ela faz as coisas necessárias para se encontrar com a boa sorte. Ela sabe que ninguém virá, então logo inicia a ação que o levará adiante de imediato. Em sua solidão se confronta com seu próprio desejo de superação e não espera por ninguém, mas imediatamente põe as mãos à obra. 

Possivelmente este é também um reflexo do que acontece em termos gerais, a diferença entre primeiro e terceiro mundo. Qual sua opinião a respeito?

Gostaria de lhe explicar uma teoria que tenho a respeito do surgimento desse inconsciente coletivo de passividade (no qual se vive esperando, a cultura da dificuldade) nessa atitude de espera. Uma é a religião e a outra é o sistema de governo. Porém, antes de explicar minha teoria, permita-me clarear enfaticamente que nada tenho contra nossa religião ou a respeito das diferentes formas de governo. Simplesmente é uma análise objetiva do que poderia ser a causa deste inconsciente coletivo de passividade no qual vivem a maioria das pessoas. Primeiro a religião: você sabe, como eu, que a religião nos incutiu uma vasta rede de crenças, muitas das quais não pensamos a respeito, e não podemos sair delas. Para sair desta rede de crenças, a única coisa que se deve fazer é questionar-se a respeito delas, e desta forma, podemos perceber se ela tem servido para nosso crescimento ou se tem nos limitado em nosso desenvolvimento. 

Questionando desta forma, pude observar que a muitos de nós foi dito durante muito tempo que “logo virá o Salvador...”, ou coisas tais como: ”está próxima a segunda vinda do Salvador...”, e outras semelhantes. E assim se foi forjando (devagar, mas profundamente) em nosso inconsciente a ideia de que alguém virá, alguém nos ajudará, alguém nos libertará do problema. Essa postura é muito cômoda. A única decepção que a maioria de nós tem, é que não nos disseram quando. Se soubéssemos quando virá o Salvador, estaríamos fazendo outra coisa em nossa vida, não vê? Talvez seja por isso que não nos disseram quando. Apenas nos iludiram. Mas tudo bem, a esperança é a última que morre. Como você pode ver, dessa maneira se criou uma atitude de espera na mente de cada um de nós, ou pelo menos na imensa maioria das pessoas, que não tem um conhecimento profundo de nossa religião (como pode ser o seu caso também). Assim nasce uma espera para viver a plenitude e a paz. Caramba! Se soubéssemos que essa plenitude e paz já podem ser vividas aqui e agora, apenas acreditando que nada virá, seja um mortal ou um personagem divino!

Por outro lado, nossas formas de governo durante muitas décadas instalaram um regime paternalista para o cidadão. Assim todos vivíamos esperando. Era o caso do burocrata que esperava a quinzena (embora não merecesse), era o caso do aluno que esperava ser aprovado nessa escola do governo (embora não merecesse), era o caso dos atletas que representavam nossa nação e esperavam que se patrocinassem seus gastos durante suas disputas (mesmo que não merecessem), era o caso de você e eu que esperávamos que nossos dirigentes resolvessem nossos problemas de poluição e congestionamentos no tráfego (sem que fizéssemos nada a respeito), era o caso do trabalhador que esperava a solução de seus problemas graças a seu líder sindical (mesmo que não tivesse nada a fazer). A lista é interminável, e a frequência desse regime paternalista foi outra causa para que se criasse na maioria de nós a atitude de espera.
Por favor, devemos jogar para o alto essa atitude medíocre! Devemos sair desse inconsciente coletivo “percebendo” o dano que isso nos traz. É a única forma para sair do inconsciente coletivo, é preciso perceber isso. E rapidamente criar um novo inconsciente coletivo, repleto de uma Nova Consciência do nosso próprio valor e onde sabemos que nada virá, mas sabendo com uma autêntica postura de responsabilidade. Assim eu gostaria de ter começado esse capítulo, com o título: “Ninguém Está Chegando: Uma Saudável Postura de Responsabilidade”. Saber que ninguém está vindo não é para deixá-lo deprimido porque não chegará o Salvador. Não, não, não. Essa é a sã atitude do Poder Pessoal para iniciar a ação que nos levará ao resultado que queremos. Esse poder está em você e só em você. Esta é a posição sábia, onde o sucesso pessoal é vivido.

Confesso que não tem sido fácil para mim dividir esses argumentos com você. Muitas vezes, eu mesmo sigo esperando que venha alguém para me ajudar. Por favor, não creia que ao ser sincero com você eu revele minha incongruência entre o que vivo e o que escrevo. Não! Por favor. Só quero deixar claro que não é tão fácil escapar deste inconsciente coletivo. Então assim como confesso isso, também digo que faço isso cada vez mais (e falo com orgulho de meu crescimento e desenvolvimento). Cada vez mais me dou conta de que ninguém virá, então, em seguida, começo do começo. Quando cresci e “percebi” que já não teria o apoio do “papai” para meus gastos, quando tive que pagar o telefone de minha casa e meu celular, quando tive que pagar os gastos de meu automóvel, quando tiver que resolver sozinho meus problemas fiscais, percebi que ninguém viria, pelo menos meu “papai” não. 

Foi frustrante perceber que meu pai podia me ajudar e mesmo assim não o fazia, ele tinha e continua tendo o dinheiro suficiente (e mais) para resolver meus problemas financeiros, e mesmo assim não me ajuda como quero! Bom, depois de ter pensado adjetivos nefastos acerca de meu pai em alguma época da minha vida (não posso negar), hoje eu melhor decidi “relaxar minhas coronárias”, e sabiamente me livrar dessa postura que gera sofrimento: esperar algo de alguém. Saber que ninguém virá diminuiu enormemente meu sofrimento. Grande parte dos conflitos humanos na vida surgem porque se espera algo de alguém, mesma coisa que nunca chega.
Já passou por algo semelhante? Já viu como tenho razão? Se você espera que alguém venha para dar uma volta, corre o risco de ficar sem dar uma volta. Se você espera que alguém lhe dê um beijo para ser feliz, corre o risco de ficar infeliz. Se você espera reconhecimento de sua esposa e filhos para se sentir um homem realizado, corre o risco de ficar amargurado. Se espera um excelente tratamento por parte de alguém para se sentir pleno e feliz, joga com a opção de sentir o sofrimento e a frustração e decepcionar-se. Se você espera que alguém sempre esteja com você para que se sinta bem, eu garanto que vai se sentir mal em muitas ocasiões. Se você espera que alguém chegue na hora em que mandou para poder ir dormir, corre o risco de padecer uma larga insônia. Já viu por que lhe convém não esperar? Insisto! É sadio – psicologicamente falando – saber que ninguém está chegando. Esperar algo de alguém ou algo da providência, resulta ser uma amarra em sua vida, e toda amarra é um impedimento para viver em um nível superior de consciência, nos impede de crescer. 

Quanto mais amarrados (pela espera) estamos com pessoas, coisas, ideias ou emoções, menos temos capacidade para experimentar esses fenômenos com autenticidade. Tente apertar a água em suas mãos esperando que aí ela se retenha, e vai perceber a rapidez com que ela escorre pelas suas mãos. Agora, deixe uma de suas mãos abertas enquanto toca a água e poderá se satisfazer dela o quanto queira.

De alguma maneira, sempre soube que depender de uma coisa era a forma mais segura de nunca ter o suficiente dela.
Wayne Dyer – escritor americano

Porém, tenho o dever moral de lhe dizer algo: suponhamos que você aceite que ninguém está chegando. Se você se lança a viver uma vida livre de “esperas”, e mesmo assim, alguém chega! O que fazer nesses casos? Bem, dê infinitas graças a Deus! Brinque com a alegria que lhe gerará essa agradável surpresa. Mas faça assim: foi uma surpresa! Essa atitude liberta do possível sofrimento que gera a espera ao ver-se defraudada. Saiba que ninguém virá, mas se vier, receba de braços abertos! 

Há alguns anos, quando meu pai me ajudou a pagar alguns compromissos financeiros, fez sem que eu pedisse. Imagine se eu dissesse: “obrigado papai, mas eu não preciso de sua ajuda”. Bem, confesso que faria isso por minha postura orgulhosa, mas meu anjo da guarda gritou em meus ouvidos: “Grandessíssimo estúpido!  Não vê que não temos como pagar? Nem no céu nos emprestam mais! ”, ou algo parecido. Então, simplesmente sorri, agradeci e aceitei sua ajuda. 

Saber que ninguém está chegando o obrigará a crescer e amadurecer como pessoa. Pode ser um pouco doloroso esse crescimento, sobretudo o susto inicial em aceitá-lo, como quando nascem os dentes do siso, mas conseguirá, em um futuro muito próximo, reconhecer-se como líder de projetos, o salvador de si mesmo e dos outros, incrementará muitíssimo sua autoestima, os problemas lhe assustarão cada vez menos e você vai enfrentá-los cada vez mais (até os de outras pessoas), chegará a se sentir como um gigante que ajuda a resolver os problemas de seus irmãos, vai experimentar a paz do dever cumprido, viverá muitos momentos para crescer. Descobrirá valores, habilidades e forças, talvez ainda desconhecidas em você. Todas essas razões serão um motivo a mais para que você mantenha sua...emoção por existir!

JCF
Tradução: Adri Silveira

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